quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Saudosa infância
Saudade da infância...
De quando eu saía na chuva
sentindo-a bater em meu rosto.
Saudade de quando eu não precisava ser gente grande.
De quando eu não tinha preocupações
senão com meus brinquedos.
Saudade de pular nas poças d'água
como elas fossem se exterminar.
Saudade dessa infância que não volta mais,
das vontades que já não tenho mais coragem ou vontade,
mas que a vontade ainda continua adormecida,
e alguma hora eu a acordarei.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Cartola mágica
Cartola preta
cor de prata.
Mexa, remexa
e tire algo que surpreenda.
Abra!
Espante-se!
Ria-se!
Veja como te envolve.
Veja como te alegra.
Cartola preta
cor de ouro.
Mexa, remexa
Tiraste algo que te surpreendeu.
Abriu!
Viu!
Calou-se!
Andou sorrindo rua acima
com tua surpresa na mente.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Concessionária.
Uns mais novos; outros mais velhos. Uns com motor que anda mais; outros com motor que anda um pouco menos. Uns com rodas novas; uns com rodas já gastas.
Carros novos, carros antigos, porém carros... E andam. Uns com incrementos, outros sem nada. Uns com lataria intacta, outros com a lataria mascarada com tintas e rebocos.
Há carros novos, com direção maleável, freios "abs", ar-condicionado, cheios de "fru-fru", com dispositivos "hi-tech" um pouco complicados a primeira vista de se mexer. Porém, com o tempo, as funções vão se tornando corriqueiras e a utilização vai se tornando fácil. Há carros mais antigos, mais robustos, sem esse monte de parafernália - quase "nus" - de fácil funcionamento com comandos simples e diretos, que não se precisa apertar milhões de botões para que apenas um comando seja executato.
Há carros de vitrines, feitos somente para serem admirados, sem serem tocados, em total isolamento. Há carros de exposição, feitos para serem tocados, admirados e experimentados, mas sem sair do lugar, apenas saboreados pelo seu conforto.
Carros novos importados, carros velhos nacionais; carros novos nacionais, velhos importados. Carros, carros, carros. Todos veículos de metal, cujo fim é o mesmo para todos: o desmanche e o ferro velho!
terça-feira, 4 de junho de 2013
Apaixonado pierrot
Um pierrot desarmado
pelo sorriso arguto
dum ser angelical.
Um ser, intitulado poeta palhaço,
que foi consumido
pela contagiante alegria
de um ser celeste,
embebido pela alegria das palavras.
Um palhaço esbanjando felicidade,
algo torrente,
caloroso,
ardil,
dançando na roda da vida
como se fosse a última dança,
o último sorriso,
os últimos aplausos,
os últimos versos traçados em linhas esguias;
como se fosse a última entrada no picadeiro
e a última fechada de cortina.
domingo, 12 de maio de 2013
Pescaria de sonhos
Vou vestir minha roupa de pescaria
e vou-me para a beira do cais.
Estico meu lápis,
jogo meu anzol
iscado com palavras
e pescarei o maior sonho no lago das ideias.
Esperarei que algum fique preso,
para que dele eu possa desfrutar
o pedaço mais doce.
Enquanto o sonho grande não vêm,
insisto nos menores e fico no aguardo,
pois são mais fáceis de se pegar.
Eita!
Foi, então que percebo que a linha fica mais pesada e o lápis se entorta.
Vou dando linha,
dou espaço
para que o sonho se canse e eu o pegue.
Levo esses sonhos para casa
risco, corto, apago, limpo.
Deixo os sonhos brutos do jeito que eu quero.
Engulo pedaços macios de algodão-doce,
Esbarro-me, por vezes, nos espinhos,
mas esses eu cuspo,
porque podem machucar.
Faço isso em cada pedaço,
até o último.
Deixo um pouco de sonhos guardados
para que não se terminem tão logo
e para que eu tenha novos pedaços deles para poder desfrutar novamente
quando eu bem quiser.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Insanidade mundial
Bem-vindos ao fantástico mundo do mundo,
onde o mais certo escolhe viver acorrentado,
onde o mais rápido escolhe viver com pedras nos pés.
Bem-vindos ao fantástico mundo do mundo,
onde tudo é tudo,
onde nada é nada.
Bem-vindos ao fantástico mundo do mundo,
onde tudo é certo,
onde tudo é inconstante.
Bem-vindos ao mundo do mundo,
onde tudo é incerteza,
onde tudo e todos são loucuras e loucos.
Bem-vindos ao mundo do mundo,
onde o mundo é dos loucos
e o mundo do mundo é o sanatório.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Escada
Não pense em descer uma escada,
quando se pode subir até o topo e respirar.
Não suba dois degraus por vez, com pressa,
já que o deslize pode ser inevitável
e o retorno ao primeiro pode doer muito.
Suba degrau por degrau,
aproveite a subida,
pise um por um
e a subida será tranquila.
Faça dessa escada a subida para o sucesso.
Suba, canse, desça um, dois degraus,
mas nunca pense em descer até o começo,
porque no final dela é que a luz é mais clara.
Por isso,
nunca pense em descer uma escada até o final,
quando se pode subir até o topo.
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